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O
espaço não poderia ser mais apropriado para um show em defesa
de uma Ordem dos Músicos do Brasil mais democrática: os Arcos
da Lapa, local que sempre acolheu as mais diversas manifestações
artísticas. De forma tímida, o público se aproximava do espaço
ao redor do palco, enquanto os técnicos de som e músicos acertavam
os últimos detalhes. Pouco depois das 16h de anteontem, hora
marcada para o início do show Fora
de Ordem - que começou apenas às 17h20 - o céu fechado
desencorajava curiosos que interrompiam seu trajeto ante à
inusitada movimentação e fãs das atrações programadas para
subir ao palco até o fim da noite. Mas logo as nuvens dissiparam,
abrindo espaço para as estrelas que se reuniram para cantar,
tocar e protestar.
A linguagem
musical uniu representantes do samba, do rock, do soul/funk
e da música clássica. Mas as faixas afixadas ao palco - Música é liberdade!, Uma vida
melhor, Dignidade
profissional - não deixavam dúvidas sobre o caráter de
mobilização política do evento. O embate entre os artistas
reunidos no show pelo Fórum Permanente de Música do Rio de
Janeiro e a administração da OMB - cuja representação regional
cassou, no fim do ano passado, o registro profissional do
músico Eduardo Camenietzki, que encabeçava um abaixo-assinado
contra a antecipação das eleições da entidade - foi esmiuçada
ao público em depoimentos de medalhões como Beth Carvalho,
Chico Buarque e o próprio ministro da Cultura Gilberto Gil,
exibidos em telões ao lado do palco...
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na íntegra o discurso de Camenietzki
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